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Mato Grosso do Sul conta com Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) de maracujá e de sorgo forrageiro

A melhoria e ampliação das pesquisas desenvolvidas pela Embrapa possibilitou que Mato Grosso do Sul seja contemplado com ZARC para duas novas culturas: o maracujá e o sorgo forrageiro. Para garantir a qualidade e excelência do trabalho feito pela pesquisa e viabilizar as trocas de experiências e informações entre produtores rurais, técnicos da assistência rural publica e privada e pesquisadores, a Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS) organizou duas reuniões virtuais de validação do ZARC para a região Centro-Oeste, uma para cada uma dessas duas culturas.

O ZARC indica os períodos mais favoráveis para plantio por cultura e por município, levando em conta as características do clima, o tipo de solo e ciclo de cultivares. A ferramenta é útil para o produtor diminuir o risco de que adversidades climáticas coincidam com as fases sensíveis das culturas e para assim reduzir perdas agrícolas.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Carlos Ricardo Fietz explica que o estado possui condições adequadas de cultivo para ambas culturas, podendo ser cultivadas em praticamente todo o Estado. Porém, destaca que “a cultura do maracujá tem um amplo potencial de crescimento em Mato Grosso do Sul, principalmente, na agricultura familiar. Temos condições climáticas favoráveis para essa cultura e vários técnicos estão desenvolvendo trabalhos com maracujá”.

Maracujá – O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial de maracujá, com uma produção de aproximadamente 600 mil toneladas, o que corresponde a 70% da produção mundial. Estima-se que existam cerca de 50 mil produtores de maracujá no país, com produtividade de até 90 toneladas por hectare. Além disso, o maracujá é cultivado em todos os biomas, regiões e estados do Brasil. Apesar disso, a exportação brasileira ainda é muito pequena, porém com amplo potencial de ampliação. Sendo que os maiores exportadores da fruta são o Peru e o Equador.

Esses dados foram apenas algumas das informações apresentadas pelo pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina/DF) – https://www.embrapa.br/cerrados, Fernando Macena, na terça-feira, 25 de maio. Além de apresentar uma série de informações relevantes da cultura, descrever seu ciclo de forma clara e dinâmica, ele descreveu detalhes da metodologia de modelagem do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura do Maracujá.

A palestra foi feita durante a Reunião de Validação da cultura do Maracujá para a região Centro-Oeste e Norte do Brasil. A atividade on-line foi organizada e realizada pela Embrapa. Participaram da esclarecedora reunião mais de 75 pessoas de diversas cidades, dentre eles: produtores rurais, consultores técnicos, gestores públicos, representantes de cooperativas, de bancos e de empresas do setor privado, ligadas à cadeia produtiva do maracujá.

Os ciclos e fases com uso da tecnologia do mudão para a produção de maracujá também foi tema da palestra. Saiba mais. Clique aqui (https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/3129/mudas-de-maracujazeiro-tipo-mudao).

O Chefe Adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Fábio Faleiros, destacou a relevância da cultura do maracujá para o Brasil. Segundo ele, o trabalho de validação do ZARC para a cultura do maracujá é um importante instrumento de política agrícola e gestão de riscos na agricultura e finalizou dizendo que “o nosso país tem dimensões continentais e isso torna os trabalhos do ZARC ainda mais desafiador para a Embrapa”.

O Superintendente de Ciência e Tecnologia, Produção e Agricultura Familiar (Suprafa) de Mato Grosso do Sul, Rogério Beretta, parabenizou a Embrapa pelo nível de excelência do trabalho feito pela instituição e destacou que o ZARC é fundamental, pois gera segurança a todos os envolvidos, inclusive estados e municípios. “A fruticultura é uma excelente opção para agricultores familiares e pequenos produtores e o Estado de Mato Grosso do Sul tem fomentado, por meio da Agraer, o fortalecimento desse importante segmento no Estado”, concluiu.

O Secretário Municipal de Agricultura de Dourados (MS), Ademar Zanatta, participou da reunião. Segundo ele, o maracujá trouxe muitos benefícios econômicos para os agricultores familiares da região e acrescentou: “Estamos trabalhando para fortalecer e expandir ainda mais a produção de maracujá na cidade”.

Sorgo forrageiro – O sorgo é de origem africana, é o quinto cereal mais cultivado no globo e é adaptado às condições de altas temperaturas e baixa disponibilidade hídrica. A reunião on-line de validação do ZARC do sorgo forrageiro foi realizada no dia 30 de abril.

Os principais benefícios do cultivo de sorgo forrageiro são: tolerância a seca; baixo custo de produção; alta produtividade; adaptação a solos arenosos e água salobra; adaptação tanto para a agricultura extensiva quanto para a agricultura familiar; proteção de solo e controle de plantas daninhas; baixa incidência de nematoides. Mas a cultura é intolerante a baixas temperaturas, bem como a algumas pragas e doenças.

Além dessas informações, o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG), Daniel Pereira Guimarães apresentou detalhes da metodologia do ZARC para o sorgo forrageiro e os principais resultados das simulações para a região Centro-Oeste.

Para que serve o ZARC? – O zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos. O modelo agrometeorológico considera elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola como disponibilidade hídrica, temperatura, chuvas, ocorrência de geadas, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).

Os agricultores que seguem as recomendações do ZARC estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

Ouça o áudio do Mapacast que explica o funcionamento e a importância do Zarc (https://www.gov.br/agricultura/pt-br/centrais-de-conteudo/audios/mapacast/episodio-31-zoneamento-agricola-de-risco-climatico)

Aplicativo Plantio Certo – Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar, por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do ZARC, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel do ZARC Plantio Certo (https://www.embrapa.br/informatica-agropecuaria/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/6516/aplicativo-zarc—plantio-certo), foi desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP) – https://www.embrapa.br/informatica-agropecuaria, e está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos” (http://indicadores.agricultura.gov.br/zarc/index.htm).

Christiane Congro Comas (Mtb-SC 00825/9 JP)

Embrapa Agropecuária Oeste

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